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“Pretender”, “Cry Baby”, “Subtitle”, “I LOVE...”. O Official HIGE NANdism acumulou uma sequência de músicas que grudam na cabeça com uma facilidade impressionante. Por trás dessa coleção de hits está uma banda cuja formação musical passa longe de uma única escola.
Satoshi Fujihara, vocalista, pianista e compositor, começou pela bateria. Aos 10 anos, já queria ser baterista profissional. Na adolescência, vieram Slipknot, heavy metal e X JAPAN. No ensino médio, Earth, Wind & Fire e Stevie Wonder fizeram com que ele passasse a prestar mais atenção aos vocais e à black music. Entre os artistas japoneses, aiko se tornou uma influência importante para sua composição.
Fujihara também encontrou inspiração em YOSHIKI. Ao tocar o solo de piano de “Yesterday”, conta que tinha “Silent Jealousy”, do X JAPAN, em mente. São referências que ajudam a entender a mistura pouco óbvia por trás do som do Higedan: rock, piano, black music, R&B e pop convivendo na mesma banda.
Quando formou o grupo na Universidade de Shimane, Fujihara ainda estava testando possibilidades. Reuniu Daisuke Ozasa, Makoto Narazaki e Masaki Matsuura e estabeleceu uma meta: lotar uma casa de shows de aproximadamente 200 pessoas. Para encontrar a direção da banda, gravou cinco demos diferentes, passando por rock, baladas, músicas mais sombrias e black music. Foram as últimas que melhor se encaixaram no quarteto.
O grupo começou de forma independente, gravando em Tottori, vendendo CDs nos próprios shows e divulgando músicas no YouTube, SoundCloud e MySpace. Fujihara ainda conciliava a banda com o trabalho em um banco, onde ficou por dois anos. Quando decidiu abandonar o emprego e se mudar para Tóquio, ouviu dos antigos colegas que esperavam vê-lo no Kōhaku. A banda chegaria ao programa no fim de 2019.
“Pretender”, lançada naquele ano como tema de The Confidence Man JP, mudou completamente a escala do grupo. Vieram “I LOVE...”, “Cry Baby”, “UNIVERSE”, “Subtitle” e outros sucessos. A fórmula, entretanto, não ficou parada: o Higedan transita entre diferentes estilos sem abandonar a preocupação com melodia, voz e arranjo.
Fujihara costuma registrar ideias no celular e voltar a elas depois. “UNIVERSE” nasceu parcialmente desse processo: um trecho da música já estava guardado havia anos, enquanto o refrão apareceu durante uma caminhada noturna depois de ele parar para comer um gyūdon. É um bom retrato de seu método: guardar ideias e esperar até que alguma delas encontre seu lugar.
O que há por trás do Higedan? Um compositor formado por referências tão diferentes quanto Slipknot, X JAPAN, Earth, Wind & Fire, Stevie Wonder e aiko, aliado a uma banda que transformou essa bagagem em pop. É fácil entrar pelo refrão. O interessante começa quando você presta atenção no que está acontecendo antes, durante e depois dele.
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