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| (C) TBS - Tokyo Broadcasting System |
Quase vinte anos se passaram desde a exibição de Hana Yori Dango Returns, continuação do dorama que se transformaria em um dos maiores fenômenos culturais da televisão japonesa dos anos 2000. Ainda assim, bastaram poucos minutos para que o tempo parecesse desaparecer.
A Tokyo Broadcasting System convidou Hikaru Utada para uma rara apresentação no tradicional programa musical CDTV. O repertório atravessava diferentes eras de sua carreira: o novo tema de Chibi Maruko-chan, a música-tema da franquia Neon Genesis Evangelion e, finalmente, Flavor of Life -Ballad Version-, apresentada em um novo arranjo.
Naquele momento, a apresentação deixou de ser apenas uma simples performance televisiva e se transformou em uma viagem coletiva de volta a 2007. É impossível ouvir Flavor of Life sem imediatamente associá-la a Jun Matsumoto e Mao Inoue. A música ultrapassou o status de trilha sonora para se tornar parte inseparável da identidade de Hana Yori Dango 2. Poucos temas de dorama conseguiram atingir esse nível de simbiose entre canção, narrativa e elenco.
A performance de Hikaru Utada trouxe Flavor of Life de volta ao centro da memória afetiva de toda uma geração de fãs de doramas japoneses.
Nada soa datado. Nem a voz de Hikaru Utada. Nem Flavor of Life. Nem a memória de Hana Yori Dango. Nem mesmo o impacto que o Arashi ainda mantém sobre toda uma geração que cresceu acompanhando os doramas da época.
Neste mesmo mês em que o Arashi caminha para sua despedida definitiva como grupo, ouvir Flavor of Life novamente transforma a apresentação em algo ainda mais simbólico para fãs que cresceram acompanhando aquela era da cultura pop japonesa.
Existe algo raro na permanência cultural de Hanadan. Em um mercado televisivo acostumado a sucessos passageiros, o dorama permanece vivo no imaginário popular japonês e asiático como uma obra praticamente intocável. Muito disso se deve à química entre Jun Matsumoto e Mao Inoue, frequentemente apontada como um dos romances mais marcantes da história dos doramas modernos.
Por isso, qualquer ideia de remake soa estranha. Não porque seja impossível reproduzir a história, mas porque o contexto emocional daquele momento jamais poderá ser recriado. Hana Yori Dango 2 nasceu em uma convergência perfeita entre televisão, música e cultura pop japonesa dos anos 2000: a ascensão definitiva do Arashi, a força da dramaturgia da TBS e uma Hikaru Utada vivendo um de seus períodos mais inspirados artisticamente.
O resultado foi uma obra que envelheceu de maneira rara: sem perder relevância emocional.
Flavor of Life permanece como um símbolo de uma geração inteira de fãs de doramas japoneses.

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