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O festival Zipangu quer levar o J-pop ao mainstream — vai dar certo?

Atarashii Gakko no Leaders (C) ASOBI SYSTEM

No próximo mês, Los Angeles será palco de um daqueles festivais que têm potencial para marcar época.

O Zipangu promete reunir alguns dos principais nomes da música japonesa atual, como Ado, Atarashii Gakko! e Chanmina, em um evento dedicado à cultura japonesa nos Estados Unidos. Por trás da iniciativa está Takuya Chigira, CEO da Cloud Nine, em parceria com a produtora americana Goldenvoice — a mesma responsável pelo Coachella.

O próprio Coachella já vem abrindo espaço para artistas japoneses nos últimos anos, com apresentações de Atarashii Gakko! e YOASOBI em 2024, além do grupo XG em 2025. Esse movimento reforça uma tendência clara de expansão do J-pop no mercado internacional.

“Acho que está ficando cada vez mais evidente que a música japonesa tem muito potencial, e isso é só o começo no cenário global”, afirmou Ellen Lu, vice-presidente de festivais regionais da Goldenvoice, em entrevista ao The Japan Times.

Antes de idealizar o festival, Chigira já tinha trajetória consolidada na indústria. Ele foi empresário do grupo GReeeeN, conhecido por sucessos como “Kiseki”, e fundou a Cloud Nine em 2019. Um ano depois, a entrada de Ado na agência ajudaria a redefinir a escala de seus projetos.

Recentemente, a artista realizou a turnê “Hibana”, divulgada como a maior turnê internacional já feita por um artista japonês — incluindo passagem pelo Brasil. Apesar do momento de crescimento, Chigira adota um tom cauteloso ao analisar o cenário global.

“A música ocidental ainda é o centro da música global”, afirma.
“A música asiática ganhou espaço graças ao K-pop, e o J-pop ainda está na periferia.”

Ele também tem se posicionado como um crítico da própria indústria japonesa. Após o evento Matsuri ’25, reclamou da limitação de público do local e, em 2024, chamou atenção ao falar sobre o que considera uma “crise” no setor. Para ele, a forte associação do J-pop com o anime pode ser uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que funciona como porta de entrada para novos públicos, também pode limitar a forma como os artistas são percebidos.

Do outro lado, a percepção é de mudança. Segundo Ellen Lu, o público global está cada vez mais aberto a consumir música em outros idiomas, mesmo sem entender a letra.

Nesse contexto, o Zipangu surge como uma aposta estratégica — não apenas como um festival, mas como um possível ponto de virada para a presença da música japonesa no exterior. A expectativa é que o evento se torne anual, consolidando um novo espaço para o J-pop no circuito internacional.

Aos poucos, o J-pop busca expandir sua presença nos mercados internacionais. Apesar de ser uma indústria historicamente autossuficiente — sustentada pelo próprio público japonês — cresce a percepção de que há espaço para exportação, tanto em alcance cultural quanto em geração de receita.

O sucesso global de BTS, BLACKPINK e TWICE ajuda a ilustrar essa transformação. O K-pop deixou de ser um nicho para se tornar parte do mainstream global — comparável a nomes ocidentais consolidados.

Nesse cenário, o desafio do J-pop não é apenas crescer fora do Japão, mas mudar a forma como é percebido. O sucesso — ou fracasso — do Zipangu pode influenciar diretamente como empresários japoneses enxergam o mercado internacional nos próximos anos.

Mais do que exportar artistas, a ambição passa a ser outra: torná-los universais.

Não mais um nicho — mas parte do todo.

Com informações do The Japan Times

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