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| © Aka Akasaka × Mengo Yokoyari / Shueisha · Comitê de Produção de Oshi no Ko |
A indústria musical japonesa começou a enxergar com mais clareza o alcance internacional do J-POP.
Em entrevista publicada pela Real Sound e conduzida pelo jornalista Tomoyuki Mori, o CEO da Warner Music Japan, Takeshi Okada, e o sociólogo do entretenimento Atsuo Nakayama discutiram como streaming, fandom e redes sociais passaram a redefinir o posicionamento global da música japonesa.
Segundo Nakayama, a expansão do streaming permitiu que a indústria finalmente tivesse acesso a dados mais concretos sobre consumo internacional. “O acesso aos dados do streaming tornou muito mais fácil mapear a indústria musical japonesa sob vários ângulos”, afirmou. Ele cita o sucesso global de “Idol”, do YOASOBI, além do crescimento internacional de artistas como Fujii Kaze e Creepy Nuts, como fatores que ajudaram a ampliar a visibilidade do J-POP no exterior.
Nakayama também destacou a importância da divulgação inédita dos números internacionais da indústria musical japonesa pelo Ministério da Economia do Japão em 2026. Segundo os dados, as vendas internacionais do setor chegaram a 123,9 bilhões de ienes (cerca de US$ 830 milhões) em 2024.
“Foi importante finalmente enxergar isso”, comentou Okada, afirmando que até então não existia uma visão clara do tamanho da receita global da música japonesa como um todo.
A entrevista também aponta uma mudança gradual de estratégia das gravadoras japonesas em relação ao mercado internacional. “Desde 2021 começamos a investir mais agressivamente em ações para o público estrangeiro, como adicionar legendas em vários idiomas aos vídeos dos artistas no YouTube”, explicou Okada.
Ao comparar J-POP e K-POP, Nakayama argumenta que a música japonesa sempre teve dificuldade de categorização internacional justamente por sua diversidade estética. “Existem anime songs, músicas Vocaloid, city pop, J-POP tradicional... é raro um país ter tanta variedade”, afirmou. Segundo ele, o termo “Gacha Pop”, criado pelo Spotify, ajudou a organizar essa percepção internacional sobre a música japonesa contemporânea.
Okada reforçou que essa diversidade cultural é justamente uma das características centrais da música japonesa. “A música japonesa nasce justamente dessa mistura com outras culturas — anime, Vocaloid, internet — e isso é algo muito único.”
Durante a conversa, Okada também reconheceu que o tamanho histórico do mercado doméstico japonês retardou o foco em estratégias globais. “O Japão sempre focou muito mais no mercado interno porque ele já era enorme. Por isso demoramos tanto para pensar em monetização internacional.”
Para Nakayama, o próximo desafio será estrutural. “O Japão ainda tem pouquíssimos profissionais com visão global e domínio digital. Talvez um décimo do que existe na Coreia. Isso será um dos grandes desafios da próxima década.”
Apesar disso, ambos avaliam que o momento atual representa uma oportunidade importante para a expansão internacional da cultura japonesa. “Quando converso com profissionais estrangeiros, sinto claramente que o interesse pelo Japão nunca esteve tão alto”, afirmou Okada. Já Nakayama definiu o cenário atual como “um novo movimento de japonismo”, apontando música, anime, mangá e games como parte central desse crescimento global da cultura japonesa.

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